Marconi Perillo e a saúde em Goiás: CRER, HUGOL e hospitais

Com o tema no topo das preocupações dos goianos em 2026, obras, ampliações e decisões de gestão dos quatro governos Marconi voltam ao debate. Parte dessa estrutura atravessou administrações e segue atendendo milhões.
A saúde voltou a ocupar o lugar mais incômodo da agenda pública de Goiás. Em pesquisa Quaest realizada entre 23 e 26 de agosto de 2026, 37% dos entrevistados apontaram a saúde como o principal problema do Estado. A violência apareceu bem atrás, com 15%.
O dado muda o peso do tema na eleição. Quando hospitais, filas, cirurgias, exames, leitos e atendimento passam a liderar as preocupações da população, qualquer candidato que queira discutir saúde precisa responder a duas perguntas: o que pretende fazer e o que já fez quando teve oportunidade de governar.
É nesse segundo ponto que o nome de Marconi Perillo ganha uma característica diferente no debate de 2026. O ex-governador comandou Goiás em quatro mandatos e, ao longo desses períodos, participou da implantação, inauguração, expansão ou reorganização de unidades que ainda fazem parte da rede pública estadual.
Isso não autoriza transformar toda conquista atual dessas instituições em mérito exclusivo de uma gestão passada. Hospitais são organismos vivos: crescem com investimentos posteriores, equipes técnicas, novos governos e mudanças de gestão. Mas também não é possível apagar a origem das estruturas. CRER, HUGOL, HEAPA, HUANA e projetos de regionalização da assistência existem em documentos oficiais e ajudam a medir, de forma concreta, o que foi feito na saúde durante os governos Marconi.
Quando a saúde vira o maior problema do Estado, o passado deixa de ser apenas memória
Campanhas eleitorais costumam produzir uma avalanche de promessas. Na saúde, porém, existe uma diferença: hospitais permanecem. Leitos continuam sendo usados. Centros de reabilitação seguem recebendo pacientes. Prédios, equipamentos e modelos de gestão podem ser avaliados muitos anos depois da inauguração.
Por isso, discutir a saúde nos governos Marconi Perillo exige mais do que repetir slogans favoráveis ou críticas genéricas. É preciso olhar para aquilo que foi entregue, aquilo que foi ampliado, o que permaneceu funcionando e também para os limites do período.
O resultado desse levantamento revela uma trajetória extensa: da reabilitação de alta complexidade à urgência e emergência, da Região Metropolitana ao interior, passando por hospitais regionais, unidades especializadas e pela expansão do modelo de Organizações Sociais.
CRER: uma obra de 2002 que atravessou governos e ultrapassou 25 milhões de atendimentos e procedimentos
O caso mais simbólico talvez seja o Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo, o CRER.
Inaugurado em 25 de setembro de 2002, durante o primeiro ciclo de governos de Marconi Perillo, o CRER nasceu com foco em reabilitação e atendimento especializado. Mais de duas décadas depois, a unidade não apenas permanece aberta como se tornou referência para pessoas com deficiência física, auditiva, visual e intelectual.
Dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde mostram que o CRER ultrapassou 25 milhões de atendimentos e procedimentos. A instituição também é reconhecida pelo Ministério da Saúde como Centro Especializado em Reabilitação CER IV, nível que reúne múltiplas modalidades de reabilitação.
O equipamento também passou por expansão. Em 2018, ainda durante o quarto governo Marconi, foi entregue uma nova etapa de ampliação, com novo Centro de Diagnóstico e reforço da estrutura assistencial.
O ponto mais importante, para além da disputa política, é a continuidade. O CRER não desapareceu com a troca de governador. A unidade continuou sendo modernizada, recebeu novos serviços e preservou papel central na rede do SUS em Goiás.
É exatamente esse tipo de permanência que transforma uma inauguração antiga em ativo histórico verificável. Quem quiser discutir o que Marconi fez na saúde precisa passar pelo CRER.
HUGOL: inaugurado em 2015, hoje acumula mais de 24,4 milhões de procedimentos
Se o CRER é o símbolo da reabilitação, o Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira, o HUGOL se tornou um dos maiores símbolos da urgência e da alta complexidade em Goiás.
O hospital foi inaugurado em 6 de julho de 2015, durante o governo Marconi. Desde a concepção, a proposta era desafogar a rede de urgência de Goiânia e ampliar a capacidade de atendimento da Região Noroeste, da Região Metropolitana e de pacientes encaminhados do interior.
A dimensão que o hospital alcançou chama atenção. Segundo dados atuais da Secretaria de Estado da Saúde, entre julho de 2015 e maio de 2026 o HUGOL realizou mais de 24,4 milhões de procedimentos. Nesse total estão mais de 257 mil procedimentos cirúrgicos, mais de 9,1 milhões de exames laboratoriais e de imagem, dezenas de milhares de transfusões e milhares de atendimentos de alta complexidade.
O hospital também se consolidou como referência em queimaduras, hemodinâmica, cirurgia cardíaca adulta e cardiopediatria. Em 2026, alcançou o segundo lugar em ranking dos melhores hospitais públicos do Brasil divulgado pelo Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde em parceria com entidades nacionais e internacionais da área.
Há uma cautela necessária: um reconhecimento recebido em 2026 não pode ser atribuído automaticamente ao governador que inaugurou o hospital em 2015. Mais de uma década de gestão, profissionais e investimentos posteriores contribuíram para esse desempenho.
Mas o dado produz uma conclusão histórica relevante: a estrutura implantada naquele período não virou um prédio vazio nem perdeu função estratégica. Pelo contrário, permaneceu na rede e alcançou alto nível de complexidade e reconhecimento nacional.
Para um debate sobre experiência em saúde pública, isso pesa.
HEAPA: hospital inaugurado em 2006 continua atendendo Aparecida e dezenas de municípios
Em Aparecida de Goiânia, o Hospital Estadual de Aparecida de Goiânia Cairo Louzada, o HEAPA oferece outro exemplo de estrutura que atravessou administrações.
O hospital foi inaugurado em 27 de setembro de 2006, também durante governo de Marconi Perillo. Hoje, segundo a própria Secretaria de Estado da Saúde, é uma unidade de urgência e emergência de média e alta complexidade com abrangência regional e atendimento a aproximadamente 45 municípios no entorno de Aparecida de Goiânia.
A unidade realiza cirurgias gerais, ortopédicas e bucomaxilofaciais, exames de média e alta complexidade e atendimento multiprofissional.
Em 2024, já sob outra administração estadual, o HEAPA recebeu Acreditação Nível 3 de Excelência da Organização Nacional de Acreditação. Novamente, o reconhecimento pertence às equipes e à gestão do período em que foi conquistado. Mas a permanência do hospital quase duas décadas após a inauguração reforça a importância da decisão original de colocar aquela unidade na rede estadual.
Para uma cidade do tamanho de Aparecida, é uma marca relevante do histórico sanitário do período.
HUANA: Anápolis teve hospital de urgência ampliado para 161 leitos
O interior também aparece nesse mapa.
O Hospital Estadual de Urgências de Anápolis Dr. Henrique Santillo, hoje conhecido como HUANA, foi inaugurado em 2005. Em abril de 2018, Marconi entregou uma grande ampliação da unidade.
De acordo com os registros oficiais do Governo de Goiás, foram investidos aproximadamente R$ 32 milhões, sendo cerca de R$ 15 milhões em obras físicas e R$ 17 milhões em equipamentos.
A expansão foi expressiva: o hospital passou de 80 para 161 leitos. Os leitos de UTI passaram de 16 para 31. A área construída saltou de aproximadamente 4,4 mil para 7,8 mil metros quadrados.
A própria Secretaria de Saúde estimava que a unidade beneficiaria mais de 2 milhões de pessoas em 56 municípios das regiões dos Pirineus, Vale do São Patrício, Serra da Mesa e Norte Goiano.
À época da ampliação, o hospital já registrava milhões de atendimentos e dezenas de milhares de cirurgias.
A entrega em Anápolis mostra um elemento importante da estratégia de saúde daquele período: não concentrar toda a alta complexidade apenas na capital.
Esse movimento de regionalização seria reforçado em outras áreas do Estado no fim do quarto mandato.
Águas Lindas: hospital pensado para uma região pressionada pela demanda do Entorno
O Entorno do Distrito Federal sempre foi um dos pontos mais difíceis da saúde goiana. Crescimento populacional acelerado, deslocamento diário e dependência histórica da estrutura de Brasília produziram uma demanda enorme por atendimento.
Em abril de 2018, Marconi entregou a primeira etapa do Hospital Estadual de Urgências de Águas Lindas de Goiás.
O projeto foi concebido para atender uma macrorregião estimada, à época, em aproximadamente 1,2 milhão de habitantes. O planejamento divulgado pelo Governo de Goiás previa 124 leitos, além de leitos auxiliares.
A história posterior dessa unidade passou por outras administrações, mudanças de projeto, continuidade de obras e nova configuração. Por isso, seria incorreto atribuir todo o hospital atual a uma única gestão.
Mas a primeira etapa entregue em 2018 mostra que a pressão sanitária do Entorno já estava no centro das decisões estaduais naquele período — e ajuda a entender por que a região continua aparecendo nas propostas de saúde de 2026.
Na WikiGoiás, o histórico das ações na área também se conecta ao dossiê sobre Marconi Perillo e o Entorno do Distrito Federal.
Quirinópolis e Goianésia: tentativa de levar atendimento especializado para fora da capital
A regionalização não ficou restrita aos hospitais de urgência.
Em março de 2018, o governo entregou estruturas de saúde especializada em Quirinópolis e Goianésia. Em Quirinópolis, o Centro de Referência e Excelência em Dependência Química (CREDEQ) e a Unidade Estadual de Saúde Especializada (USE) foram apresentados como equipamentos capazes de atender uma população regional de centenas de milhares de pessoas.
A macrorregião Sudoeste, segundo os dados atuais da Secretaria de Saúde, reúne 28 municípios e população superior a 650 mil habitantes.
O objetivo da USE era simples e ambicioso: evitar que todo atendimento especializado exigisse deslocamento para Goiânia.
Em Goianésia, outro conjunto formado por USE e CREDEQ foi entregue no mesmo período. A proposta era aproximar consultas especializadas e serviços de saúde mental e dependência química das cidades do interior.
Nem todo projeto daquela fase teve a mesma evolução, utilização ou continuidade. E esse é justamente um ponto que uma análise séria precisa preservar. O valor histórico não está em afirmar que cada estrutura resolveu definitivamente o problema regional, mas em mostrar que existiu uma política explícita de levar parte da assistência especializada para além da capital.
O modelo de Organizações Sociais mudou a gestão hospitalar — e continua provocando debate
Uma análise do período Marconi também precisa tratar do modelo de gestão.
Goiás expandiu a utilização de Organizações Sociais de Saúde na administração de unidades estaduais. CRER e HUGOL são dois exemplos importantes desse modelo.
Defensores argumentaram que a estrutura permitia maior flexibilidade administrativa, contratação de equipes e gestão de insumos. Críticos questionaram custos, fiscalização, transparência e o grau de terceirização de uma função pública essencial.
Esse debate não desapareceu. O fato de várias unidades continuarem sob gestão de Organizações Sociais anos depois demonstra que a mudança não foi apenas circunstancial. Ela passou a integrar a arquitetura da saúde estadual.
É possível discordar do modelo. O que não é possível é analisar os governos Marconi na saúde ignorando que a reorganização administrativa foi uma de suas marcas mais duradouras.
O que não deve ser exagerado ao falar desse legado
Existe uma tentação comum em períodos eleitorais: transformar toda obra em patrimônio pessoal de um governante.
Isso seria um erro.
Hospitais estaduais são patrimônio público. Muitos projetos atravessam vários mandatos, recebem recursos federais, emendas parlamentares, investimentos posteriores e trabalho acumulado de milhares de servidores, médicos, enfermeiros, técnicos e gestores.
Da mesma forma, uma certificação conquistada anos depois da saída de Marconi do governo não pode ser apresentada como resultado exclusivo dele.
Também seria equivocado usar o histórico para concluir que a saúde não enfrentava filas, problemas financeiros, críticas ou falhas naquele período. Enfrentava.
Essa ressalva, porém, não enfraquece o levantamento. Ao contrário: é justamente quando se retiram os exageros que sobra um conjunto expressivo de fatos verificáveis.
O CRER foi inaugurado em seu governo. O HUGOL foi inaugurado em seu governo. O HEAPA foi inaugurado em seu governo. O HUANA foi implantado e posteriormente ampliado durante seus mandatos. Houve investimentos em regionalização e houve expansão do modelo de Organizações Sociais.
Esses fatos são suficientes para sustentar que Marconi chega ao debate de 2026 com experiência administrativa concreta no setor.
Experiência não significa cheque em branco
Ter histórico não elimina a obrigação de apresentar soluções novas.
A saúde de 2026 enfrenta desafios diferentes dos de 2002, 2006 ou 2015: envelhecimento da população, judicialização, novas tecnologias, custo crescente de medicamentos, demanda reprimida por cirurgias, pressão sobre especialidades médicas e dificuldade de regionalizar serviços de alta complexidade.
Por isso, o desempenho passado não substitui a avaliação das propostas atuais.
Mas ele muda a natureza da cobrança.
Quando Marconi critica a situação da saúde e apresenta novas ideias, o eleitor pode confrontar o discurso atual com estruturas que efetivamente foram implantadas durante seus governos. Pode perguntar o que funcionou, o que precisa ser corrigido, o que ficou incompleto e o que seria diferente em um eventual novo mandato.
Isso é mais útil do que reduzir o debate a propaganda de um lado e negação do outro.
CRER, HUGOL, HEAPA e HUANA: estruturas que sobreviveram ao calendário eleitoral
Talvez este seja o ponto que mais pesa na avaliação histórica.
CRER, HUGOL, HEAPA e HUANA não são apenas nomes encontrados em discursos antigos. São unidades que continuaram atendendo depois de 2018.
Algumas cresceram. Outras receberam novas certificações. Todas passaram por administrações posteriores. E justamente por terem sobrevivido à troca de governos, podem ser analisadas sem depender apenas da narrativa de quem as inaugurou.
Quando uma estrutura pública permanece ativa 10, 15 ou 20 anos depois, existe um dado objetivo sobre sua relevância.
É por isso que o histórico de Marconi na saúde ganha força exatamente quando o setor volta a ser o maior problema apontado pelos goianos.
Então Marconi Perillo tem bagagem para falar de saúde?
Se a pergunta for feita de forma objetiva, a resposta histórica é: sim, existe bagagem administrativa documentada.
Foram quatro mandatos, com participação em obras de referência, ampliação da rede hospitalar, regionalização e implantação de um modelo de gestão que permaneceu em uso.
Isso não significa que sua gestão deva ser considerada perfeita, nem que seus adversários não tenham resultados próprios para apresentar. Também não significa que o eleitor tenha de concordar com suas propostas atuais.
Significa apenas que, quando a discussão é “o que Marconi Perillo fez pela saúde de Goiás?”, existe material concreto para responder.
CRER. HUGOL. HEAPA. HUANA. Águas Lindas. Expansão de serviços especializados no interior. Mudanças na gestão hospitalar.
Em uma eleição na qual a saúde aparece como a maior preocupação da população, esse histórico dificilmente ficará fora do debate.
Perguntas rápidas sobre Marconi Perillo e a saúde em Goiás
O CRER foi criado em qual governo?
O CRER foi inaugurado em setembro de 2002, durante o governo Marconi Perillo. A unidade foi posteriormente ampliada e continua integrada à rede estadual de saúde.
Quem inaugurou o HUGOL?
O HUGOL foi inaugurado em 6 de julho de 2015, durante o governo Marconi Perillo. A unidade permaneceu na rede estadual e alcançou, em 2026, reconhecimento nacional entre hospitais públicos.
O HEAPA foi inaugurado quando?
O Hospital Estadual de Aparecida de Goiânia foi inaugurado em 27 de setembro de 2006, durante um dos governos Marconi. Atualmente atende Aparecida de Goiânia e dezenas de municípios da região.
Marconi investiu em hospitais fora de Goiânia?
Sim. Entre os exemplos documentados estão o HUANA, em Anápolis, com grande ampliação entregue em 2018, a primeira etapa do hospital estadual de Águas Lindas e unidades especializadas em municípios como Quirinópolis e Goianésia.
Os resultados atuais desses hospitais são responsabilidade exclusiva de Marconi?
Não. As estruturas foram implantadas ou ampliadas em determinados governos, mas seu desempenho atual também resulta do trabalho de administrações posteriores, profissionais de saúde, novos investimentos e modelos de gestão mantidos ao longo dos anos.
Leia também no WikiGoiás
- Marconi Perillo: biografia, governos, trajetória e eleições
- Saúde nos governos Marconi Perillo: CRER, hospitais e regionalização
- CRER: histórico, inauguração e relação com os governos Marconi
- HUGOL: informações e histórico da unidade
- HEAPA: informações e histórico da unidade
- Marconi Perillo e Anápolis: obras e ações no município
Fontes consultadas
- Pesquisa Quaest: saúde como principal problema de Goiás — Dia Online
- CRER — Secretaria de Estado da Saúde de Goiás
- HUGOL — Secretaria de Estado da Saúde de Goiás
- HEAPA — Secretaria de Estado da Saúde de Goiás
- Ampliação do HUANA — Secretaria de Estado da Saúde de Goiás
- Hospital de Águas Lindas — Governo de Goiás
- CREDEQ e USE em Quirinópolis — Secretaria de Estado da Saúde


